Pascoa e
pesach. Época do ano em que renovamos nossas esperanças na humanidade, os
pecados são perdoados, as cunhadas revelam intimidades à mesa (casamento aberto
funciona mais para ela do que para ele, feioso que não vai pegar ninguém), e um
monte de oferta chega por e-mail ou no aplicativo.
Enquanto a
familia discutia se a Janete vai aparecer na segunda temporada de “o mecanismo” --assisti um pouco forçado. Vale pela delegada raimunda. Será que as delegadas da PF andam com roupinha justa também? -- eu olhava as ofertas de vinhos que chegaram.
Você que já
estava com o saco cheio de críticos de vinhos que dominavam os rumos do mercado
em gosto, estilos e preços, agora tem mais um motivo para jogar ovo no onibus
da sua vida: A era dos milhões de consumidores usados como críticos e
referência para suas compras.
Não sei
onde que a humanidade se perdeu e decidiu que outros tinham autorização e
legitimidade para nos contarem o que deveriam usar, assistir, comprar, tomar,
onde estudar, onde e como nos informar sobre as notícias.
Passamos de
pensadores (bons ou maus) a consumidores de baboseira pronta para consumo. Ao
invés de lermos e interpretarmos algo, hoje pegamos tudo pronto e escolhemos as
idéias que nos agradam mais. Voltando a questão dos consumidores críticos: As
empresas estão juntando os dois infernos possíveis; os parkers e seus filhotes
com qualquer um Ze Ruela juntos.
“que vinho”,
“uau que vinho”, “sem palavras para esse vinho”, “vinho feito por rock star”,
foram algumas das pérolas chinesas que li recentemente. A miriade de frases
mal-feitas não tem fim e infelizmente aparecem na nossa cara (eles sabem como e
onde colocar as mensagens para evitar fujões desesperados como eu).
Wine Spectator famously said, “B... keeps going and going and going...”
Dois exemplos reais que li recentemente. Tem como ser mais vazio que isso, e ainda assim ditar rumos do mercado?
Prevejo que
em pouco tempo os aplicativos estarão lotados de opiniões influenciadoras
feitas por algo ainda mais irritante e pernicioso que críticos e consumidores
sem cérebro: BOTS, que assim como já
fazem em websites de filmes, roupas esportivas, restaurantes e afins, vão nos presentear
com mais essa.
O fim tem
que estar próximo.